Gerônimo relança ‘Eu Sou Negão’ com participação de Moraes Moreira

Com produção de Davi Moraes e Toni Duarte, a nova versão da música pretende mostrar que pouco mudou na relação artista x indústria

Informações bahia.ba
(Foto: Divulgação)


Em 1987, o cantor e compositor Gerônimo lançou uma música que, além de servir de crônica das relações conflituosas entre blocos afro e blocos de trio, era, ela mesma, um elemento novo no Carnaval de Salvador.
Com mistura de rap, toques afro baianos e ritmos do Norte, “Eu Sou Negão (Macuxi Muita Onda)” nasceu de um improviso também em situação de conflito (entre o artista e executivos de uma gravadora) e foi uma revolução.

Agora, 30 anos depois, Gerônimo relança a música atualizada, com novo arranjo e nova concepção e conta, para tanto, com a participação super especial de Moraes Moreira – outro nome histórico da folia.
E se a primeira gravação da música foi feita e divulgada quase clandestinamente pelo radialista Baby Santiago, esta nova versão tem produção do baixista Toni Duarte e do guitarrista Davi Moraes, e se destina novamente a furar o bloqueio das rádios, mas também já nasce contando com o abrigo da internet.
“É para ser meio pirata mesmo. Mas, pretendemos lançar também nas plataformas digitais, é claro. O fato é que se deixar nas mãos do sistema nada acontece”, diz Toni em conversa com o bahia.ba. E completa: “Acredito que muito pouco mudou desde o lançamento da música até hoje”. Morgana D’ávila e Andrea Caldas estão nos vocais.
Com programações assinadas por Kassin, a nova gravação segue o desenho do arranjo original em timbres mais enxutos. E, justamente no discurso do negão que brada contra a opressão sonora dos potentes trios-elétricos, Moraes reencarna o bardo Gregório de Matos Guerra e questiona: “O que é que eu posso fazer / Por ti, oh minha Bahia / Achar que tudo é prazer / Ou proferir desacatos / Que nem Gregório de Matos / Em outros tempos fazia?”.
“A intenção é mostrar que índios, negros, negras, gays, trans, brancos, pobres, todos somos negões”, afirma Toni, co-idealizador (com Davi) da nova versão. “Bahia com H é o novo código”, diz um trecho da letra enxertada. “Estamos aqui e eles sobreviveram”, reza um sampler do original. Pelo visto, muito de delícia e dor sobrevivem na boa terra. A música é uma delas. Do primeiro time. 
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