Violência: mais de 30 mil jovens são mortos por ano no Brasil

Índice de homicídios de negros foi quase 2,5 vezes maior do que o de não negros em 2015; Bahia segue entre os estados onde mais se mata, com taxa três vezes superior

Informações bahia.ba
Protesto contra a violência com ativistas da Anistia Internacional. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Protesto contra a violência com ativistas da Anistia Internacional. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Os jovens de 15 a 29 anos são as principais vítimas de homicídio no Brasil e, entre 2012 e 2015, mais de 30 mil pessoas na faixa etária foram assassinadas por ano no país. Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2017, divulgado nesta segunda-feira (4) pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Apesar de 2015 ter registrado uma queda de 3,6% em relação a 2014, o número de jovens mortos continuou acima dos 30 mil, com 31.264. Entre os anos de 2005 e 2015, o número de jovens mortos no país cresceu 16,7%. Enquanto a taxa de homicídios da população em geral é de 28,9 casos para cada 100 mil habitantes, entre os jovens a proporção é de 60,9 casos.
Na faixa etária, as principais vítimas são os homens. Entre eles, a taxa de homicídios chega a 113,6 casos por 100 mil habitantes. O problema se agrava em alguns estados, onde a média chega ao dobro da nacional. Em Alagoas, 233 homens jovens de 15 a 29 anos foram assassinados para cada 100 mil homens da faixa etária. Sergipe tem a segunda maior taxa, com 230,4 para 100 mil.
Recorte de cor – A taxa de homicídios da população negra no Brasil superou em quase 2,5 vezes a da população não negra em 2015. O levantamento utilizou dados do IBGE e do Ministério da Saúde e mostra também que, enquanto a taxa de homicídios dos não negros caiu 12,2% entre 2005 e 2015, a dos negros subiu 18,2%.
Em 2005, a taxa de homicídios de pretos e pardos era de 31,5 para cada 100 mil habitantes. A proporção chegou a 38,5 para 100 mil em 2014 e caiu para 37,7 para 100 mil em 2015, um aumento de 18,2%.
O aumento foi quase 8 pontos porcentuais mais intenso para a população negra do que para o público brasileiro em geral, que teve elevação de 10,6% e passou de 26,1 homicídios para cada 100 mil habitantes em 2005, para 28,9 em 2015.
A população não negra (brancos, amarelos e indígenas), por sua vez, vivenciou uma queda na taxa, que deixou os 17,4 homicídios por 100 mil habitantes em 2005 para 15,3 por 100 mil em 2015.
Em 12 unidades da federação, a taxa de homicídios de 2015 era ao menos três vezes maior para negros do que para não negros. Estão na lista Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.
No Acre, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Piauí e Rio de Janeiro, a taxa de homicídios de negros é ao menos duas vezes maior do que a de não negros.
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