No Natal, vigilante se acorrenta para cobrar salário: 'Não tenho comida'

Vigilante há quatro meses sem receber abdicou do Natal para fazer ato.
Governo diz que empresas estão com documentações pendentes.


Informações G1 AP
O vigilante Geovan de Souza, de 29 anos, deixou a esposa e o filho de pouco mais de um ano em casa na manhã de Natal desta sexta-feira (25) para se acorrentar em frente a empresa onde trabalha, em Macapá.
Com correntes em volta do corpo, cadeados, sem camisa e apenas com uma garrafa com água, o vigilante decidiu fazer o protesto para cobrar quatro meses de salários atrasados.Veja no vídeo aqui.
Cena chamou atenção em frente a empresa de vigilancia, em Macapá (Foto: Abinoan Santiago/G1)
Cena chamou atenção em frente a empresa de vigilancia, em Macapá (Foto: Abinoan Santiago/G1)

“Ontem [quinta-feira] a minha janta foram três ovos. Eu não tenho vergonha disso. Lá em casa, a CEA cortou a minha luz e tive que fazer ‘gato’ e se ela for cortar, religo de novo porque eu não tenho dinheiro e não posso ficar o escuro. Meu gás acabou e não tenho comida em casa”, disse.
O vigilante contou que estão atrasados o pagamento de maio, junho, outubro, novembro e o décimo terceiro salário. Com um filho pequeno em casa, ele descartou ter qualquer motivação para passar o Natal ao lado da família.
“Eu não tenho porque passar o Natal em casa. Pro meu filho ficar perguntando o que vou dar de presente? Fico calado porque não tenho o que falar”, falou o vigilante, que prometeu ficar no local enquanto estiver com o salário atrasado.
Geovan faz parte de um grupo de 900 vigilantes vinculados à Secretaria de Estado da Educação (Seed). O governo do Amapá informou na quarta-feira (23) que a pendência de repasses para as empresas por causa da falta de documentação apresentada pelos contratantes e apontou os empregadores como responsáveis pelo atraso no pagamento do 13º salário.
G1 procurou a empresa na qual o vigilante acorrentado trabalha, mas ninguém estava disponível para falar sobre o assunto.
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