Brigadista de Barra da Estiva sofre ameaça policial e ameniza: “Caso isolado, somos parceiros”

Coturno foi levado por policiais durante ação contra brigadista voluntário na cidade de Barra da Estiva

Informações Jornal da Chapada
(Foto: Divulgação)


O presidente da brigada Guerreiros de Barra da Estiva, Edvaldo Miranda Alves, entrou em contato com o Jornal da Chapada, nesta quinta-feira (23), para relatar ameaças que teria sofrido de policiais militares. Conforme Registro de Ocorrência nº 199/2017, o brigadista voluntário foi abordado, humilhado e ameaçado por prepostos da Polícia Militar (PM), na noite da última quarta-feira (22), ao acompanhar um primo em um bar na Fazenda Ponto da Pedra, em Barra da Estiva, na Chapada Diamantina.
Edvaldo, entretanto, acredita que o caso é uma ação isolada e que confia na corporação da PM. “Acredito que foi um fato isolado, somos parceiros em combates aqui na região, não tenho dúvida que isso será explicado”, aponta o brigadista ao Jornal da Chapada. Sobre o caso em si, Miranda disse ter ficado indignado com a abordagem. Segundo o denunciante, os policiais mandaram que descalçasse e entregasse a eles o coturno que utiliza para combater os incêndios florestais em toda a região da Chapada. O fato teria acontecido de “forma violenta”, quando Edvaldo foi chamado de “porqueira” e de ser “um brigadista que ateava fogo para ganhar dinheiro nos combates”.
Boletim de Ocorrência registrado por Edvaldo Miranda (Foto: Divulgação)
Boletim de Ocorrência registrado por Edvaldo Miranda (Foto: Divulgação)

No entanto, ele e seus 42 companheiros trabalham de forma exclusivamente voluntária e, inclusive, sem nenhum apoio para conseguir equipamentos apropriados para tal. Essa é uma queixa comum entre todos os brigadistas voluntários. Edvaldo afirmou que não conhecia os policiais, “que seu coturno ficou com eles e que ele ainda foi ameaçado de violência física caso não comprovasse que era de fato um brigadista”.
“Fiquei triste por causa da humilhação que fizeram comigo. Falaram que eu colocava fogo para ganhar dinheiro. Mas o que eles não sabem é que desde 1998 eu sou voluntário e apago fogo em toda Chapada. Não quero confusão com ninguém, mas gostaria que os brigadistas fossem respeitados, utilizamos materiais doados”, contou Miranda em entrevista ao Jornal da Chapada. Conforme o brigadista, o calçado não estava na delegacia, como é de praxe acontecer com produtos apreendidos pela Polícia Militar em suas ações.
Procurado pelo site, o presidente dos Combatentes de Incêndios Florestais de Andaraí (Cifa), Homero Vieira, ressaltou que o caso é lamentável e também acredita que o caso é isolado. “Lamentável o episódio ocorrido com um dos nossos irmãos brigadistas. Os fatos serão apurados e, com certeza, serão esclarecidos. Tudo não passou de um triste mal-entendido. A PM da Bahia tem sido um forte aliado das brigadas voluntárias da Chapada Diamantina. Torço para que este episódio seja o mais breve esclarecido”. O Jornal da Chapada entrou em contato com a Polícia Militar e aguarda um posicionamento da corporação.
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