Alta de tamanduás resgatados no Litoral Norte indica caça ilegal; grupos matam o animal para comer

A situação dos gaviões-carijó e os carcarás é parecida. Nos últimos quatro anos, o número de exemplares da espécie também começou a aumentar

Informações Correio24horas
Antes, um tamanduá-mirim chegava por ano, ao Cetas. Hoje, a média anual é de oito a nove (Foto: Evandro Veiga/Correio)
Antes, um tamanduá-mirim chegava por ano, ao Cetas. Hoje, a média anual é de oito a nove (Foto: Evandro Veiga/Correio)

A chegada de um animal ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Salvador pode revelar informações importantes sobre o que tem acontecido com uma determinada espécie na região. É o caso dos tamanduás-mirins. De acordo com o coordenador do Cetas, Josiano Torezani, antes, era comum que chegasse um tamanduá da espécie ao local. 
Agora, nos últimos dois anos, chegam de oito a nove bichos por ano. Geralmente, os animais têm o mesmo perfil: são filhotes oriundos do Litoral Norte do estado. “Isso é um indicativo de caça. As pessoas matam a mãe e deixam o filhote, que é encontrado e resgatado”, explica. 
Segundo ele, há quem coma a carne do tamanduá-mirim – esse seria, assim, um dos principais motivos para a matança. “Se você parar para analisar, o pessoal mata mesmo para tomar com cachaça hoje em dia. É por diversão. São poucos que matam para sobreviver (se não tiver o que comer”. 
Por enquanto, esses animais não estão na lista dos que correm risco de extinção. Mesmo assim, Torezani se preocupa. “Se continuar nesse ritmo, mais cedo ou mais tarde, eles podem entrar na lista”, alerta. 
A situação dos gaviões-carijó e os carcarás é parecida. Nos últimos quatro anos, o número de exemplares da espécie também começou a aumentar – quase sempre por resgate, bem mais do que por apreensão ou por entrega espontânea. Comuns na Bahia, chegam ao centro vindos de Salvador mesmo e, principalmente, da Região Metropolitana de Salvador (RMS). 
A maioria chega com asas e outras partes do corpo mutiladas. “Eles capturam o animal ainda filhote, botam presilha nas pernas e fazem falcoaria. Mas o animal voa e alguém traz para cá. Isso tem acontecido muito na RMS. Tem um grupo que tem feito muito isso na região”. 
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