Caetité foi palco do V Encontro de Comunidades Negras e Quilombolas

Resgate, consciência e valorização da herança africana marcaram o evento

Informações Sudoeste Bahia
(Foto: Divulgação)
No dia 30 de novembro a cidade de Caetité realizou o seu V Encontro de Comunidades Negras e Quilombolas, realizando na Comunidade de Lagoa do Meio um grandioso encontro com representantes de todo o município e ainda de outras cidades.

Tendo por organizadoras a Secretária Municipal de Educação, Rosemária Joazeiro, e a funcionária Aneli Oliveira, o evento contou com a presença de várias autoridades do Executivo e Legislativo locais, com o Prefeito José Barreira de Alencar, a Vice-Prefeita Dra. Fátima, o vereador Moacir e, além da Secretária Rose, os Secretários Cléia Montenegro, Sebastião Carvalho, Nilo Azevedo e João da Silva Chaves, bem como de lideranças comunitárias, a exemplo de Paulo Souza, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Edgard de Oliveira, da Federação de Associações.

O papel da Prefeitura

Nos últimos seis anos Caetité teve já reconhecidas dez das suas comunidades quilombolas. Em sua fala a Vice-Prefeita, Fátima Oliveira, ressaltou que “este é um momento de reflexão sobre o racismo em nosso meio; no Brasil, infelizmente, é uma realidade a ser combatida, para que tenhamos uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária”.

A Secretária Municipal de Educação, Rosemária, enfatizou a importância daquele evento, que hoje é grandioso, mas que teve início em pequenas reuniões, demonstrando assim seu alcance e potencial. Para ela é muito importante que eles sejam realizados nas próprias comunidades, o que permite uma ampla troca de experiências.

Vários professores e alunos da Universidade do Estado da Bahia também estavam presentes, representantes do culto afro, além de comunidades convidadas das cidades vizinhas (Santo Inácio, de Ibiassucê; Gurunga, de Igaporã; Lagoa do Rocha, de Lagoa Real e Colônia, de Tanque Novo).

Agradecendo a presença de todos, o Prefeito José Barreira destacou que o Dia da Consciência Negra é uma das principais datas do Brasil, e como tal deve ser valorizada. “Temos em mente que a consciência negra não é um momento de separação pela cor, mas sim o reconhecimento de uma história, de uma cultura”, ressaltando que apesar de numerosas em Caetité, foi apenas nos últimos anos que as comunidades quilombolas obtiveram seu reconhecimento, especialmente por meio das políticas sociais.

A Presidenta da Unegro, Patrícia Freitas, assinalou que esses momentos são necessários para que se leve o discurso da igualdade a todos os cantos e a todas as pessoas. O anfitrião Jaime Souza Rocha, presidente da associação da Lagoa do Meio, agradeceu a presença de todos e, sobretudo, ao apoio que a Prefeitura emprestou para que o momento se tornasse realidade.

A rica presença do negro

Caetité, que traz na sua história oficial pérolas como “esta é uma terra de brancos”, possui hoje reconhecidas pelo Governo Federal 10 comunidades quilombolas reconhecidas, e outras 13 em fase de reconhecimento. É toda uma população que, no meio rural, sobretudo, vivia literalmente à margem da sociedade. São elas: Na sede, a comunidade de Lagoa do Meio; no distrito de Caldeiras tem-se Sambaíba, Sapé e Mercês; no distrito de Maniaçu há Vargem do Sal (no Cercado), Vereda do Cais, Contendas, Malhada e Pau Ferro (no Juazeiro); no distrito de Pajeú dos Ventos a comunidade de Olho D’Água.

Eventos do dia 30

O trabalho de resgate é permanente, mas no encontro foram feitas várias apresentações que foram desde o Terno de Reis, violeiros e repentistas, roda de capoeira, até uma belíssima apresentação de dança folclórica pelo grupo Ginga Bahia, da cidade de Guanambi.

Várias oficinas tiveram lugar, falando da capoeira, do maculelê, amarração de turbantes e tranças africanas, percussão e outras. As Indústrias Nucleares do Brasil, uma das patrocinadoras, estava presente com a distribuição de mudas de árvores nativas, e com palestra sobre preservação ambiental. Apresentação de vídeo com comentários e uma mesa redonda com o tema “Combatendo o racismo e a discriminação” ocorreram em meio a vários estandes, tudo armado num “terreiro” especialmente preparado para a ocasião.

Lagoa do Meio, um recanto ainda cheio de matas nativas e preservadas em meio aos campos gerais de Caetité, foi o grandioso palco onde a beleza da herança africana mostrou toda sua garra e energia. Um momento de riqueza única, que a cidade pode dizer com orgulho de estar, finalmente, resgatando.
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