Em Salvador, 18 vereadores tentam virar deputados na eleição de outubro

Não são só os novatos que pensam em fazer o movimento migratório. Há 16 anos na Câmara Municipal, a vereadora Tia Eron (PRB) já monta sua articulação para deixar o ambiente municipal

(Foto: Valdemiro Lopes/Câmara Municipal)
vereadores de Salvador tentam, este ano, eleger-se deputado federal ou estadual e dar um salto no escala do poder. Desses, seis estão apenas no segundo ano do mandato, iniciado em 2012. Enquanto os outros estão na Casa há dois, três ou até mesmo seis legislaturas. A mudança significa também um upgrade na estrutura que cada político vai usar, caso seja eleito.

Marcell Moraes (PV) é um dos ‘neo-vereadores’  que pretendem deixar o Legislativo 
de Salvador. Defensor da causa animal, como ele mesmo chama a bandeira que levanta, o vereador ostenta com orgulho os mais de 300 projetos apresentados à Casa – mesmo que a  maioria deles seja inconstitucional, de acordo com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de Salvador, Kiki Bispo (PTN). “Sou recordista no Brasil em projetos aprovados e sou o que tem mais projetos apresentados”, afirma  Marcell.




Continuidade
Caso chegue à Assembleia, Marcell diz que vai continuar a apresentação dos projetos em prol dos animais. Mas vai deixar de ganhar os R$ 15 mil que tem direito para receber R$ 20 mil na Assembleia. “Vou apresentar os mesmos projetos que apresento aqui para poder defender os animais da Bahia”, conta.
Os benefícios do cargo de deputado, ele garante, não enchem os seus olhos. “Sou protetor de animais há 15 anos. Vou fazer isso com mandato ou não. Não vivo de ser político”, afirma ele. Outra vereadora recém- empossada que já pensa em dar tchau à Câmara é Fabíola Mansur (PSB). A socialista também tenta uma vaga na Assembleia. 

Greve
Líder das últimas greves da Polícia Militar, o vereador Marco Prisco (PSDB) também tenta se mudar para  o Legislativo estadual. Lá, Prisco, que está afastado da Polícia Militar, pretende defender os interesses da classe. Assim como os outros deputados, ele terá direito a R$ 78 mil de verba de gabinete -  hoje, recebe R$ 53 mil da Câmara Municipal.

Primeiro vereador do PSOL em Salvador, Hilton Coelho espera migrar, em janeiro de 2015, para o cargo de deputado estadual. Assim como o vereador Suica (PT). Voo mais alto tenta a vereadora Ana Rita Tavares (Pros), que quer dar um pulo, em menos de dois anos, para a Câmara dos Deputados. Se lá chegar, Ana Rita  também  vai desfrutar de R$ 26 mil de salário, R$ 78 mil de verba de gabinete, até 25 funcionários contratados e, se não quiser morar no apartamento funcional, terá R$ 3 mil à sua disposição para alugar uma casa em Brasília.
Os vereadores Alemão (PP), Vânia Galvão (PT), David Rios (Pros), Alan Castro (PTN) e Héber Santana (PSC) estão todos no seu segundo mandato na Câmara, mas pretendem também ocupar uma cadeira na próxima legislatura da Assembleia baiana. 

Experientes
Mas não são só os novatos que pensam em fazer o movimento migratório. Há 16 anos na Câmara Municipal, a vereadora Tia Eron (PRB) já monta sua articulação para deixar o ambiente municipal. A decisão de tentar  trabalhar no Congresso Nacional, segundo a vereadora, veio  do partido. 

“Eu faço política de grupo. Se meu grupo resolveu me colocar quatro vezes vereadora, eu atendi as quatro vezes. Agora eles dizem: vamos colocar Tia Eron deputada federal. Eu sempre me coloco à disposição deles e faço isso por entender que são várias pessoas que decidem uma vida política e não uma só”, disse a vereadora, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus.

Caso semelhante é o do vereador Odiosvaldo Vigas (PDT). Ele, que ocupa uma cadeira na Câmara há seis mandatos seguidos,  também quer ir para Brasília. Assim como Joceval Rodrigues (PPS), líder do governo na Casa, que está na sua segunda legislatura seguida. Caso cheguem lá, os vereadores terão também todas as suas despesas de saúde pagas pela Casa.

Também antigos na Câmara, Pedrinho Pepê (PMDB),  quinto mandato, Gilmar Santiago (PT), quarto mandato, e Aladilce Souza (PCdoB) tentam uma vaga na Assembleia.  Segundo Aladilce, a mudança não deixa o eleitorado órfão de representação em Salvador. “Existe um vazio de uma representante do servidor público na Assembleia. Pretendo levar esse debate para lá. Para Salvador avançar, é preciso uma ação do estado. Eu acho que  tem essa possibilidade de levar para a Alba a defesa de Salvador, mesmo não estando na CMS. Vamor fortalecer a luta”, defendeu a aspirante.

Suplentes tentam eleger candidatos para assumir vaga
Com o início da campanha, os vereadores Alan Castro (PTN), Heber Santana (PSC), David Rios (Pros) e Cátia Rodrigues (PMN) pediram licença das atividades na Câmara Municipal por 120 dias. Destes, apenas três concorrem a um cargo eletivo – Castro, Santana e Rios – Cátia, no entanto, pediu “um tempo” para ajudar o marido – Pastor Luciano (DEM) – na campanha a deputado estadual. 

Com o afastamento, assumiram os suplentes: Everaldo Lopes, o Beca (PTN), Paulo Magalhães Júnior (PSC), Alcindo Anunciação (PT) e Almir Barreto (PMN) – respectivamente. Os suplentes assumem a vaga interinamente com a esperança de permanecerem no cargo após as eleições. 

Para isso, empenham-se nas campanhas dos “donos” dos mandatos, mesmo que eles sejam de outros partidos e que as legendas estejam fora do arco de alianças firmado pelas agremiações que eles fazem parte. “Trabalharei para eleger David Rios. Minha coligação tem condições de eleger pelo menos três, e tem nomes fortes”, disse, no dia da sua posse.

Apesar de novos nesta legislatura, Magalhães e Anunciação assumiram o quarto mandato na Casa, enquanto Beca e Barreto são novatos. Durante discurso, o social cristão argumentou que a volta às atividades parlamentares representa “a continuação do trabalho para melhorar as comunidades carentes de Salvador”. Informações Correio24hs
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